Abdon Murad Júnior fala de quem pode fazer a cirurgia de redução do estômago

Abdon Murad Júnior fala de quem pode fazer a cirurgia de redução do estômago

setembro 6, 2019 0 Por Julia Cabernet

Sabe o que é cirurgia bariátrica?

Também chamada de gastroplastia, é uma cirurgia de redução do estômago que é indicada para a diminuição do peso em casos de obesidade mórbida associada a complicações, como diabetes e hipertensão, por exemplo.

Existem diferentes métodos para fazer esta cirurgia e ela pode ser realizada em pessoas com mais de 18 anos de idade, que não consigam emagrecer com outros tratamentos.

Depois da cirurgia, é necessário seguir uma dieta rigorosa e praticar atividade física regularmente, para favorecer a perda de peso e o bom funcionamento do organismo.

Em cirurgias realizadas em 8 anos, de acordo com Abdon Murad Júnior, foi avaliado nesse período que o número de cirurgias bariátricas cresceu 84,73% entre 2011 e 2018.

“O levantamento foi divulgado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM).” Explica Abdon Murad Jr.

Foram realizados no período aproximadamente, 424 mil cirurgias da obesidade no país. Em 2016 foram 62.227 cirurgias, em 2015, foram realizadas 58.686; em 2014, 53.156; em 2013 a marca foi de 50.321; em 2012 40.411 e em 2011, 34.629 procedimentos foram realizados.

O aumento no número de procedimentos realizados em oito anos se deve ao aumento na confiança da população em torno do procedimento e do conhecimento sobre os resultados obtidos para melhoria da qualidade de vida.

Já para as cirurgias por planos de saúde, o levantamento mostra que o número de cirurgias bariátricas em planos de saúde subiu de 27.610 em 2011 para 49.521 em 2018, um crescimento de 79,36% na amostra.

Mas, os números de procedimentos enfrentam estagnação nos últimos três anos. A crise financeira e a alta taxa de desemprego levaram cerca de 3,1 milhões de brasileiros a deixar planos de saúde e migrar para a saúde pública, segundo dados da ANS.

O número de pessoas com planos de saúde no Brasil é de 47 milhões. E o fato é de que o crescimento de 4,38% no número de cirurgias é praticamente estável, se comparado ao número de pessoas elegíveis ao procedimento.

Os brasileiros tornam-se cada dia mais obesos ou obesos mórbidos. O que gera doenças associadas a obesidade e que trazem custo alto para a economia do país.

A cirurgia bariátrica SUS, é o um verdadeiro desafio. Isso porque a cirurgia demanda de um bom preparo profissional, e o quadro tornando-se crescentes, acaba aglomerando filas de espera entre pacientes com essa doença.

O número de cirurgias bariátricas realizadas pelo SUS saltou de 5.370 procedimentos em 2011 para 11.402 em 2018, um aumento de 112,33% em oito anos.

No entanto, as 11.402 cirurgias feitas pelo SUS em todo o país no último ano representa apenas 1,16% do atendimento aos que necessitam. A população elegível para bariátrica pelo SUS é de 708 mil pessoas.

Em alguns estados e cidades a fila para cirurgia bariátrica pelo SUS pode levar 5 anos. Este é o caso, por exemplo, do Hospital de Clínicas (HC), em Campinas, com cerca de 1,5 mil pacientes na fila. No Rio de Janeiro, foram realizadas apenas 30 cirurgias pelo SUS em 2018.

Mas considerando que 75% da população depende do SUS para assistência médica, é fundamental aumentar a oferta de cirurgias bariátricas para que essa população tenha acesso aos mesmos benefícios do que àqueles com acesso à planos de saúde.

Em uma pesquisa, podemos ver que atualmente, o SUS conta com 85 serviços de Assistência de Alta Complexidade à Atenção ao Indivíduo com Obesidade em 22 estados. Os 5 estados da Federação nos quais não existem serviços habilitados pelo SUS em cirurgia bariátrica são: Amazonas, Roraima, Amapá, Rondônia e Piauí.

Mas quem pode operar?

Toda cirurgia bariátrica é indicada para pacientes com falha no tratamento clínico realizado. Como quem encontra-se nesse estado por 2 anos, e para quem tem obesidade mórbida há mais de cinco anos, considerando Índice de Massa Corpórea (IMC) entre 35 kg/m² e 39,9 kg/m², com comorbidades, ou pacientes com IMC igual ou maior do que 40 kg/m², com ou sem comorbidades

Já a cirurgia metabólica é recomendado para pacientes que não conseguiram o controle do diabetes com o tratamento convencional e têm Índice de Massa Corporal entre 30 kg/m² e 34,9 kg/m².

O custo da obesidade:

No Brasil, o custo da obesidade chega à 2,4% do PIB e está estimado em R$ 84.3 bilhões/ano. Além disso, 69.3% do total de mortes são atribuídos a doenças crônicas não transmissíveis, como doenças cardiovasculares (30,4%), neoplasias (16.5%), doenças respiratórias (6,0%) e o diabetes (5,3%), muitas associadas à obesidade.

É necessário democratizar o acesso à cirurgia bariátrica e metabólica, oferecendo o melhor tratamento para o grande número de pessoas que necessitam de atenção e tem sua qualidade e expectativa de vida reduzidas.

Para melhorar o cenário da cirurgia bariátrica e metabólica no país, com déficit no número de procedimentos, se comparado a demanda de pacientes que necessitam de tratamento nos estados.

O ministro se mostrou sensível ao quadro e designou equipe técnica e criação de um grupo de trabalho com a participação de especialistas (SBCBM) para buscar solução adequada com o orçamento da pasta e a realidade do país.

A cada ano torna-se mais fundamental a organização das ações de prevenção e de tratamento do sobrepeso e da obesidade com objetivo de fortalecer e qualificar a atenção à população, garantindo acesso aos tratamentos para combate à obesidade.

Preço da cirurgia bariátrica

O preço da cirurgia bariátrica pode estar entre os 20.000 a 40.000 reais, sendo que o valor varia de acordo com o tipo de cirurgia, o local selecionado e o cirurgião. 

Esta cirurgia também pode ser feita pelo SUS, mas é um processo demorado e complicado, pois apenas casos mais graves de obesidade mórbida associada a complicações de saúde costumam ser aprovados.

Além disso, também é necessário provar que outros tratamentos para emagrecer, com acompanhamento médico e do nutricionista, não funcionaram.

Mas então, quando fazer cirurgia bariátrica?

Como a cirurgia bariátrica pode ser feita em casos de obesidade mórbida, quando o IMC é superior a 40 kg/m2 ou quando o IMC é maior que 35 kg/m2.

Estarão presentes doenças como:

Diabetes, apneia do sono, hipertensão, dislipidemia, doenças cardiovasculares, asma grave não controlada, osteoartroses, hérnias discais, refluxo gastroesofágico com indicação cirúrgica, colecistopatia calculosa, pancreatites agudas de repetição, esteatose hepática, incontinência urinária de esforço na mulher, infertilidade, disfunção erétil, síndrome dos ovários policísticos, veias varicosas e doença hemorroidária, hipertensão intracraniana idiopática, estigmatização social e depressão.

No entanto, apenas pacientes que não obtiveram resultados com tratamento clínico e nutricional por pelo menos dois anos podem fazer a cirurgia.

E quais são os tipos de cirurgia bariátrica?

Os principais tipos de cirurgia bariátrica são:

1. Banda gástrica

Esta é a cirurgia indicada como primeira opção, pois não é invasiva, consistindo de uma cinta que é colocada em volta do estômago, para reduzir o espaço e causar sensação de saciedade mais rapidamente. Normalmente, a cirurgia é mais rápida, possui menos riscos e tem uma recuperação mais rápida.

Uma vez que não existe alteração do estômago, a banda gástrica pode ser retirada depois que a pessoa conseguiu emagrecer, sem causar qualquer alteração permanente. Dessa forma, pessoas que usam este tipo de cirurgia, também devem fazer acompanhamento em um nutricionista para manter a dieta depois de retirar a banda, para que não voltem a engordar.

2. Gastrectomia vertical

É um tipo de cirurgia invasiva, normalmente usada em pessoas com obesidade mórbida, nas quais se remove uma parte do estômago, reduzindo o espaço disponível para a comida. Nesta técnica, a absorção dos nutrientes não é afetada, mas a pessoa deve seguir uma dieta com o nutricionista, uma vez que o estômago pode voltar a dilatar.

Visto ser uma cirurgia na qual se remove uma parte do estômago, existem maiores riscos, assim como uma recuperação mais lenta, que pode demorar até 6 meses. No entanto, este tipo de cirurgia possui um resultado mais duradouro, especialmente em quem tem dificuldade em seguir uma dieta.

3. Gastroplastia endoscópica

Este é um procedimento semelhante à gastrectomia, mas nesta cirurgia o médico faz pequenos pontos no interior do estômago para diminuir seu tamanho, em vez de o cortar. Dessa forma, passa a existir menos espaço para a comida, levando à ingestão de uma menor quantidade de alimentos, sendo por isso mais fácil de emagrecer. Depois do emagrecimento, os pontos podem ser retirados e a pessoa volta a ter todo o espaço do estômago.

Esta cirurgia é indicada principalmente para quem não conseguir emagrecer com exercício e dieta, mas que é capaz de manter uma alimentação equilibrada.

4. Bypass gástrico

Normalmente é usado em pessoas com graus elevados de obesidade que usaram outras técnicas menos invasivas sem resultado. Esta técnica ajuda a perder peso rápido porque diminui muito o tamanho do estômago, mas é um método irreversível.

5. Derivação biliopancreática

Na maioria dos casos, a derivação biliopancreática está indicada para pessoas que não conseguem seguir uma dieta e que apresentam obesidade mórbida, mesmo depois de tentar outras cirurgias bariátricas. Neste tipo de cirurgia, o médico retira uma parte do estômago e do intestino, reduzindo a absorção dos nutrientes, mesmo que a pessoa coma normalmente.

Pessoas que fizeram derivação biliopancreática geralmente precisam utilizar um suplemento nutricional, para garantir que não faltam vitaminas e minerais importantes para o funcionamento do organismo.

Como é o pós-operatório?

O pós-operatório da cirurgia bariátrica exige cuidados alimentares, à base de uma dieta líquida, que pode passar depois para uma dieta pastosa, podendo-se passar para a alimentação sólida normal apenas 30 dias após a operação. Além disso, é necessário tomar os suplementos alimentares prescritos pelo médico para evitar problemas por deficiências de nutrientes, como anemia e queda de cabelo, por exemplo. 

As mulheres que desejam engravidar após a operação, devem esperar cerca de 18 meses para iniciar as tentativas para engravidar, pois o emagrecimento acelerado pode prejudicar o crescimento do bebê.

https://abdonmuradjunior.wordpress.com/2019/09/16/sabia-que-a-obesidade-esta-entre-as-doencas-mais-comuns-atualmente-por-abdon-murad-junior/