Computador quântico do Google: visitamos o laboratório onde ele foi construído – UOL

Como um dos computadores não estava ativo, foi possível ver o que há dentro do panelão. São sete andares, sustentados pela estrutura de metal que fica no topo. Parecem um lustre ? a semelhança é tanta que a IBM, que trabalha com a mesma lógica, chamou uma de suas máquinas de “chandelier”.

Essa configuração serve para que a máquina suporte e mantenha o frio, que vai diminuindo de cima para baixo, e transmita a informação até os três chips quânticos, que ficam na base, o ponto mais gelado do universo.

Dentro do recipiente prateado, a temperatura beira os -273ºC, ou seja, o zero absoluto ? ali é mais frio do que no espaço. Só assim para fazer os qubits (bits quânticos) presentes nos chips ali dentro, sossegarem e se preocuparem apenas em processar dados.

O físico teórico John Preskill, professor do Instituto de Tecnologia da Califórnia que inventou a expressão “supremacia quântica”, costuma explicar que os qubits são tão pequenos que só de olhar para eles já causa uma perturbação, que desalinha o sistema e faz com que todo o resultado produzido tenha de ser descartado. Essa perturbação é causada, por exemplo, pela aproximação de outro qubit.

Para contornar esse problema, as partículas foram estabilizadas com refrigeradores conectados por meio de cabos supercondutores ?fios capazes de transmitir eletricidade sem gerar calor? a equipamentos eletrônicos que usam tecnologia digital, por onde os comandos são inseridos. É por isso que a máquina é cheia de fios ?são cerca 2.000 deles, todos conectados cuidadosamente.

Como resfriar completamente a geringonça leva dois dias inteiros, um fio errado, e lá se vão seis dias de trabalho (dois para o primeiro resfriamento, dois para esquentar a máquina a fim de fazer a correção e outros dois para esfriar novamente).

Garantir esse ambiente estável foi fundamental para o avanço feito pelo Google. Quanto mais qubits juntos, mais imprevisíveis e instáveis eles são. Mas é exatamente o aumento da quantidade que garante maior poder de processamento. Para driblar esse beco sem saída, a empresa elaborou o chip Sycamore com um design que permite “desligar” algumas interações entre os qubits, de modo que eles fiquem menos ouriçados indevidamente.

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