‘Exterminador do Futuro: Destino sombrio’ evita desastre com volta de Sarah Connor original; G1 já viu – G1

“O Exterminador do Futuro: Destino sombrio” é o melhor filme entre as piores continuações da franquia um feito não tão impressionante considerando os horrores lançados depois da sequência original, “O julgamento final” (1991). O sexto capítulo da série, que funciona como uma espécie de (tentativa de) recomeço, estreia nesta quinta-feira (31) no Brasil.

O retorno de Linda Hamilton a Sarah Connor, seu papel mais famoso, dá força a uma produção que poderia ser apenas mais uma obra desnecessária. Principalmente depois da triste versão interpretada por Emilia Clarke (de ‘Game of thrones’) no terrível “Gênesis” (2015).

Ao lado de Mackenzie Davis (“Blade Runner 2049”), a atriz de 63 anos produz uma dupla das mais carismáticas e duronas heroínas do cinema de ação.

Mas nem a parceria consegue superar um roteiro que apenas repete à exaustão os situações criadas pelos dois primeiros filmes, em uma história previsível e com pouca imaginação.

O Exterminador Do Futuro: Destino Sombrio ganha trailer

De volta para o passado de novo mais uma vez

Um guerreiro é enviado do futuro para proteger uma mulher que terá papel fundamental na resistência humana depois de um apocalipse robótico. Ambos devem fugir e deter um robô maligno que também viajou no tempo para matá-la.

Poderia ser a história dos dois primeiros “Exterminador do futuro”, ou até mesmo de “Gênesis”, mas é a narrativa contada por “Destino sombrio”. A diferença agora é que o guerreiro virou uma ciborgue, que conta com a ajuda da vítima original para salvar o novo alvo.

No meio tempo, há até a participação do velho Arnold Schwarzenegger, com um enredo particular tirado diretamente de alguma novela mexicana cyberpunk macarrônica que não faz sentido algum mas quem se importa?

Ver novamente a parceria entre Arnie e Hamilton ativa um certo sentimento de nostalgia que a trama reciclada desesperadamente quer atingir. Uma pena que a dinâmica entre este novo antigo exterminador e a heroína seja tão mal construída.

O problema é equilibrado pela química entre a atriz e a novata Davis. Ambas duronas e plenamente formadas (ao contrário da Sarah e do Kyle Reese do primeiro filme), as duas são responsáveis pelos melhores momentos de “Destino sombrio”.

A dupla faz um trabalho tão bom que a participação da colombiana Natalia Reyes, em sua estreia como protagonista em Hollywood, sofre muito na comparação. Sem carisma, sua atuação apagada compromete o futuro da série caso os planos de recomeço se concretizem.

Se estrutura mais simples sofre para recriar os sentimentos de terror do primeiro e de perigo do segundo, neste sexto filme serve pelo menos para acentuar os grandes combates e cenas de ação.

Nas mãos de Tim Miller, diretor de “Deadpool” (2016), os confrontos entre o novo exterminador (Gabriel Luna) e Davis são extremamente divertidos, mesmo que façam a ameaça parecer bem menos implacável.

“Destino sombrio” está longe de ser a bomba que poderia ter sido. O filme pode não ser a continuação que vai ressuscitar de vez a série, mas seria legal ver o que reserva o futuro para Sarah Connors.

E, mesmo que ela e o T-800 falhem, em uma era de refilmagens, recomeços e versões, uma coisa é certa: a série vai voltar.

O leitor que não quer saber absolutamente nada da narrativa, melhor parar de ler por aqui. Quem não se importar de conhecer um detalhe importante, mas longe de ser o final da aventura, pode continuar. O aviso está feito.

O maior problema da história, o que incomoda o tempo inteiro durante o filme, é o fato de que Sarah Connors conseguiu impedir a criação da Skynet, sim.

Mesmo assim, uma nova inteligência artificial maligna foi criada, dizimou a humanidade com bombas nucleares, criou robôs humanóides com metal líquido para perseguir os sobreviventes e teve a brilhante ideia de mandar alguns deles para o passado, para assassinar os líderes da resistência.

Também teve a chance de repetir os erros de seu antecessor e permitir que seus inimigos controlassem a tecnologia para enviar seus próprios guerreiros de volta no tempo.

Tanta coincidência é impossível de ignorar. Seria mais fácil simplesmente assumir que é impossível mudar o futuro totalmente e manter a existência da Skynet ainda mais se a nova vilã ia ter o péssimo nome de Legião.

Há outros problemas no roteiro assinado por oito pessoas, previsível que só, mas esse fica gritando o tempo inteiro na cara do espectador. Depois que os tiros e as explosões acabam, a reflexão é inevitável. Se criar algo novo é tão difícil, como fizeram os dois primeiros filmes, simplificar pode ser sempre o melhor caminho.

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