Reunião ministerial: vídeo mostra que combate ao coronavírus está longe de ser prioridade do governo

Reunião ministerial: vídeo mostra que combate ao coronavírus está longe de ser prioridade do governo

Ana Flor: reunião mostra um presidente que se sente muito ameaçado
O vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, cujo conteúdo se tornou conhecido nesta sexta-feira (22), revela um governo que ignora a gravidade da pandemia do coronavírus na vida dos brasileiros e a profundidade da crise sanitária que já havia se instalado no país e que se aprofundou desde então.
O presidente, que mostrava incômodo com as informações que não recebia, com a segurança de sua família e amigos, via na atuação de governadores e de prefeitos (em especial o de Manaus, cidade que naquele momento já enfrentava situação de calamidade por causa da doença) como uma tentativa de derrubar o governo.
Em 22 de abril, o Brasil tinha cerca de 3 mil mortos por coronavírus. Hoje, o Brasil é o segundo país no mundo em contágio, atrás somente dos Estados Unidos. Já há mais de 21 mil mortes e 330,8 mil casos registrados.
Em outro trecho da reunião, ele reclama do diretor da Polícia Rodoviária Federal, depois demitido, que divulgou nota lamentando a morte de um integrante por covid-19. Bolsonaro diz que chegou a ligar para dizer que a nota precisava indicar que a morte ocorreu porque o policial tinha comorbidades. Todas as notícias sobre o coronavírus, segundo ele, servem para causar terror na população.
Salles sugere usar pandemia para fazer mudanças na área ambiental: ‘Ir passando a boiada’
Outras citações lamentáveis sobre o coronavírus vêm do ministro Ricardo Salles, do Meio Ambiente. Ele sugere aos colegas que usem o momento de atenção da imprensa à pandemia para “passar a boiada” e atropelar regras. “Não precisamos do Congresso”, diz ele.
A ministra dos Direitos Humanos fala nas absurdas violações de direitos humanos perpretadas por prefeitos e governadores que tentavam restringir a movimentações de pessoas para diminuir o número de casos da doença. O próprio presidente chega a afirmar que quer “armar o povo” para que as pessoas possam se rebelar contra as regras de confinamento.
O único momento em que há uma fala sobre o combate à pandemia é na curta apresentação que o ministro da Saúde que acabara de assumir, Nelson Teich.
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